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[27.11.07 - 9:52 AM]
Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que
disserem, o mal do século é a solidão".Pretensiosamente digo que
assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão
batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e
transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas
e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram,
trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os
novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse,
era resolvido fácil, alguém dúvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho
sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um
atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber
que vão "apenas" dormirem abraçados, sabe essas coisas simples que
perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que
não interrompa a carreira, a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como
voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão
distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de
relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como: "Quero um amor
pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra
ser sozinho!" Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio
a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase
etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a
cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o
solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas
bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de
frente e aceitar essa verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio,
démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos
fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja
frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai
descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e
cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!),
aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte
a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que
se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno
demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar
iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si
mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos
achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso
cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter
bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os
dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo
tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".
Antes idiota que infeliz. (Arnaldo Jabor)
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[26.11.07 - 10:43 AM]
Pratotodia
É pra ser todo dia?
Ou só o prato do dia?
Encontros, desencontros, reencontros.
Por estar perto demais não se vê o bastante, mas se vê os detalhes e suas nuances.
Mas e se for pra semrpe? E se esse pra semrpe nunca chegar?
Quanto vale seu próprio sonho? O suficiente pra viver pra outrem? Ou a graça da vida é dedicar-se na eterna esperança de ser atendido?
Qual o risco que você se dispõe a correr, escancarando-se, perdendo-se e anulando-se? Vale, tem recompensa? Ou é justamente esse omistério das relaões, nunca saber o limite?
Perto demais. E ainda sim cheio de lacunas...
Ou são os respiradouros pra gente não se sufocar nesse abraço? e porque me araça? Medo? Ou só comodismo?
E por que me solta? Já se aqueceu? ou só precisa pra então voltar?
Silêncio. Ou não...
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