EU: Dioy
Onde: Uberaba, Uberlândia, Patos (necessariamente nessa ordem, e dependendo do meu estado de espírito, que já não segue a mesma ordem)
Idade: no terceiro ciclo de vida, e atrasada com o cronograma...
Signo: Capricórnio, ascend. Peixes
Adoro: Rock, dormir, amigos, cinema, internet, moto, cerveja e caipirinha, filosofia, Diablo, vermelho e preto, psicologia, chuva, foto, andar a toa, pedras, cristais e velas, a psicopata da Hox, dança, magia...
Odeio: meio-termo, falsidade, ciúme, tpm, filme idiota ou melodrama, dúvida, desconfiança, pessoas fúteis e mentes medíocres, conversar com alguém que não sabe o que quer dizer...
Não vivo sem: colo, diálogo, livro, líquido ingerível, música, doce... Sou: apaixonada, bailarina, misteriosa, universitária, serelepe, cínica, franca, emotiva, sonhadora, idealista, irredutível, implicante,"vai ou vaza"...
Curto: Shakira, P!nk, G'n'R, Dido, Linkin Park, Limp Bizkit, Skank, JQuest, Renato Russo, Lenny Kravitz, Rammstein, System of a Down, Phil Collins, Savage Garden, Papa Roach, Kitaro... ah, põe o som que quando encomodar eu te xingo!
Leio: Sidney Sheldon, Agatha Christie, filosofia e qualquer coisa que não tenha final óbvio...
Me leva longe: Nietzsche.

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[8.7.06 - 5:26 PM]

não existiria som se não houvesse o silêncio
não haveria luz se não fosse a escuridão
a vida é mesmo assim
dia e noite, não e sim

cada voz que canta o amor não diz tudo o que quer dizer
tudo que cala fala mais alto ao coração
silenciosamente
eu te falo com paixão

eu te amo calado
como quem ouve uma sinfonia
de silêncio e de luz
nós somos medo e desejo
somos feitos de silêncio e som
tem certas coisas que eu não sei dizer

a vida é mesmo assim
dia e noite, não e sim

te amo calado - lulu santos


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[2.7.06 - 1:35 PM]

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode
perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita seus mortos e que haja número para os mortos. E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro,
para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes. A abrir as revistas e a ver anúncios. A ligar a televisão e a ver comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

stolen from Livinha


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